Raio-X da Carteira explicado em 5 minutos
A análise quantitativa da carteira existe para responder uma pergunta: "O risco da minha carteira está alinhado com o que eu suporto?". Tudo gira em torno disso.
O que é o Raio-X da Carteira
Raio-X é um conjunto de métricas que mostra como sua carteira se comportou no passado e como tende a se comportar no futuro. Não é palpite, é estatística aplicada — as mesmas técnicas que fundos de investimento usam internamente, só que abertas para você.
A análise pega o histórico de preços dos seus ativos (10 anos quando disponível), calcula volatilidades, correlações, drawdowns, e simula 1.000 cenários do que pode acontecer nos próximos 5 anos via Monte Carlo. O output: 8-12 números que dizem se você está exposto demais ou de menos.
As métricas que importam
Personalidade da carteira
Análise dos 5 fatores acadêmicos (Valor, Qualidade, Momentum, Baixa Volatilidade, Investment) ponderada pelos pesos da carteira. Identifica o viés dominante: predominantemente Valor, equilibrada entre Valor e Qualidade, tripla ênfase ou diversificada sem fator dominante. Cada fator tem fundamentação acadêmica documentada (Fama-French 1993/2015, Carhart 1997, Frazzini-Pedersen 2014).
QRisk (1-99)
Nota de risco combinado. Combina o pior cenário esperado em 6 meses e a oscilação anual. Carteira 100% ações típica: 35-70. Carteira conservadora (CDI dominante): 5-15. QRisk acima de 80 indica risco de queda profunda nos próximos 12 meses — atenção redobrada.
Volatilidade anual
Quanto a carteira oscila em um ano típico. Vol de 20% significa que em 2/3 dos anos a variação fica entre -20% e +20% sobre a média. Vol baixa não é sinônimo de bom — pode estar caindo de leve toda semana, gerando vol baixa e retorno ruim.
Drawdown máximo
A maior queda do pico ao fundo que sua carteira já sofreu no histórico. Não é estimativa: aconteceu. Se o seu perfil declarado é "moderado" e o drawdown histórico é -45%, há descalibração entre o que você diz tolerar e o que a carteira de fato entrega.
Sharpe
Eficiência do risco assumido. Calcula (retorno - CDI) / volatilidade. Sharpe acima de 1 é ótimo, acima de 1,5 é raro. Sharpe negativo significa que você ganhou menos que CDI assumindo risco — situação a corrigir.
VaR 95% e CVaR 95%
VaR é o limite de perda nos 95% melhores dias. Se VaR é R$ 2.000, em 95 de cada 100 dias a perda fica abaixo disso. CVaR é a média de perda nos 5% piores dias. CVaR é o número que importa mais — é o que machuca quando a coisa fica feia.
O que NÃO significa Sharpe alto
Sharpe não é tudo. É uma métrica retrospectiva que pode estar inflada por:
- Janela curta (1-2 anos de bull market puxa Sharpe pra cima artificialmente).
- Sobrevivência de tickers que ainda existem (tickers que saíram da bolsa não entram na conta).
- Concentração disfarçada (3 ações que se mexem juntas geram Sharpe alto e diversificação ilusória).
Por isso o Raio-X cruza Sharpe com QHealth e diversificação. Sharpe 2.0 com QHealth 35 = bandeira vermelha de concentração extrema.
Como interpretar o resultado
O resultado tem 3 camadas:
- Diagnóstico (vs perfil declarado): sua carteira está alinhada com o que você diz tolerar? Drawdown histórico vs target tolerável.
- Comparação (vs CDI e Ibovespa): você está pagando o risco que assumiu? Retorno líquido de CDI nos últimos 12/36/60 meses.
- Projeção (Monte Carlo 5 anos): em 1.000 cenários simulados, qual o intervalo razoável de patrimônio em 5 anos? Pior caso (P5), esperado (P50), melhor (P95).
O que NÃO está no Raio-X
- Recomendação de compra/venda — recomendação personalizada exige consultor habilitado CVM.
- Análise fundamentalista profunda — Raio-X olha histórico de preço; balanços e demonstrativos são análise complementar.
- Cenário macro — não inclui visão sobre juros, câmbio, política. Calibre o Raio-X com sua leitura macro.
- Liquidez de saída — fundos imobiliários nichados podem ter liquidez ruim mesmo com vol calculável. Avalie.
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